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Dois enormes círculos concêntricos com diamantes desenhados no interior foram encontrados no deserto do Novo México, nos Estados Unidos.




Os desenhos, que só podem ser vistos do ar, serão uma mensagem para os cientologistas que regressem à Terra depois do Armagedon, a batalha bíblica entre as forças do Bem e do Mal.

Estas informações constam de um novo livro sobre a Igreja da Cientologia escrito pelo jornalista da BBC, John Sweeney.

«Church of Fear: Inside the Weird World of Scientology» (em português «A Igreja do Medo: Dentro do Estranho Mundo da Cientologia»), que vai ser publicado no Reino Unido em 7 de Janeiro, tem ainda outras revelações.


Segundo John Sweeney estas marcas assinalam a localização de uma espécie de catedral/bunker subterrânea construída nos anos 80 e que terá custado milhões de dólares. 


«Nos seus cofres estão textos de L. Ron Hubbard [fundador da Igreja da Cientologia] gravados em placas de ouro e fechados em caixas de titanium que foram injectadas com árgon [gás usado na conservação de vegetais embalados]», lê-se no do livro, numa citação feita pelo site «Huffington Post» e onde se afirma que a catedral foi construída para resistir a um ataque nuclear.


O autor viajou até ao local, que é conhecido como Trementia Base, com Marc Headley, ex-membro da Igreja. À porta os dois encontraram várias portas de ferro guardadas por duas câmaras de vigilância e de onde não passaram.


«Carreguei no intercomunicador e uma voz disse-me ‘Olá’ no que me pareceu ser de alguém com sotaque escandinavo. Depois disse que era John Sweeney e pedi para me fazerem uma visita guiada”, relatou o autor que só ouviu ruído do outro lado e nenhuma resposta.


«Voltámos então para a civilização a perguntarmo-nos que género de religião construiria uma catedral para aliens subterrânea», acrescentou. 


A Igreja da Cientologia considera que o jornalista é um «fanático, um mentiroso e psicótico». John Sweeney é o responsável por uma reportagem sobre a Igreja que passou no programa Panorama da BBC em 2007. Por isso, a sua ideia de visitar a Trementia Base é antiga. 


«Sempre quis visitar a Trementia Base porque a Igreja sempre negou as informações sobre Xenu [ditador intergaláctico que terá trazido os humanos para a Terra] e os aliens», explicou Sweeney, citado pelo jornal “Daily Telegraph».


«Mas se estou errado sobre o fato de a Igreja acreditar em aliens, então porque razão construíram estes símbolos gigantes no meio do deserto que só podem ser vistos do Espaço?», questiona ainda. 


«Este espaço [a base] é a prova física de que eles [membros da Igreja] acreditam em aliens. Gostava de ver Tom Cruise e John Travolta a explicar porque a escondem das pessoas».  





Fonte: Sábado
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Mundo não acabou e maias iniciam uma nova era

Cerimônia na Guatemala comemora o fim do ciclo maia / AFP PHOTO / Johan Ordonez


Sacerdotes maias acenderam o novo fogo e pediram por unidade, paz, o fim da discriminação e o racismo.


O mundo continuou girando nesta sexta-feira apesar da angústia de uns e brincadeiras da maioria com os prognósticos apocalípticos que surgiram de uma mudança de era no calendário maia, celebrada entre a espiritualidade e a curiosidade turística, em sítios arqueológicos da América Central e do México.


Nos primeiros raios de Sol, sacerdotes maias celebraram a cerimônia do fogo em lugares sagrados e majestosas ruínas como Tikal, no norte da Guatemala, e Chichén Itzá, no sudeste do México, saudando a uma nova era, após a conclusão de um ciclo de 5.200 anos, 13 baktun no complexo calendário maia.


Perante cerca de 3.000 espectadores, reunidos em torno de um círculo no centro da Plaza Mayor de Tikal, a 560 km ao norte da capital guatemalteca, os sacerdotes acenderam o novo fogo e pediram por unidade, paz, o fim da discriminação e o racismo.


"Esperamos verdadeiramente um novo amanhecer, sem divisões, discriminação e exclusão entre nós", disse à AFP Fortunato Mendoza, um indígena de 55 anos que percorreu 1.000 km em dois dias para fazer uma oferenda aos deuses em Tikal, uma das cidades mais representativas do império maia.


Os descendentes dos maias, uma civilização milenar que se firmou no sul do México, Guatemala, Honduras, El Salvador e Belize, vivem este solstício com a esperança de um "novo amanhecer" e um despertar para a humanidade.


"Para nós não é um show e não é turismo, é algo espiritual e pessoal", disse à AFP Sebastiana Mejía, da Conferência de Ministros Maias da Guatemala, ao criticar a cerimônia oficial organizada pelo governo em Tikal, apresentada pelo presidente Otto Pérez.


A cerimônia atraiu chefes de Estado, convidados especiais e turistas, entre eles o cantor portorriquenho Chayanne, que nesta sexta-feira passeava pelas ruínas com certa discrição e o propósito "de conhecer mais sobre a civilização maia".


Quase 4.500 km ao sudeste, muito longe da zona maia e em pleno coração das civilizações incaicas, um rito ancestral de purificação do ambiente deu início à madrugada desta sexta-feira na boliviana Isla del Sol, sobre o Lago Titicaca, para saudar o solstício de verão austral.


Paranoia mundial


As comemorações deram lugar às interpretações catastróficas, animadas em grande parte por filmes de Hollywood. Uma suposta profecia maia, que os próprios maias desmentiram veementemente, impulsionou alguns ao redor do mundo a se refugiarem nas montanhas e em curiosos refúgios anticataclismos, tão caros que somente os ricos poderiam se salvar.


Muitos que acreditavam que o mundo poderia acabar nesta sexta-feira viajaram para Alto Paraíso, no centro do Brasil, convencidos de que este povoado de tradição esotérica e antigo refúgio de hippies seria um bunker natural contra a catástrofe.


Outros fanáticos subiram as montanhas da Sérvia e da França. Na Argentina o maior temor era de suicídios coletivos em uma montanha de reputação mística. Na Índia, China, Austrália, Turquia, Holanda... milhares de pessoas se prepararam para este 21 de dezembro.


A loucura apocalíptica contagiou tanto o mundo que governos, como o dos Estados Unidos e da Rússia, e cientistas, inclusive da agência espacial americana Nasa, tiveram que explicar várias vezes que, pelo menos até agora, a Terra continuará girando.


"Nosso planeta vai bem há mais de 4 bilhões de anos, e cientistas competentes de todo o mundo asseguram que não há nenhuma ameaça relacionada com o ano 2012", disse a Nasa em seu site.


A grande maioria, cética, passou pelo suposto "fim do mundo" com serenidade e bom humor. As redes sociais foram invadidas por piadas, algumas bastante criativas, sobre o tão falado tema do apocalipse.



O apocalipse vende



O que foi real foi o lucrativo negócio do fim do mundo. Governos e empresários do México e América Central lançaram campanhas para atrair turistas aos sítios arqueológicos como o de Tikal, Copán (Honduras) e Chichén Itzá.


Nesta sexta-feira cerca de 135.000 turistas estavam reunidos em bairros do Caribe Mexicano, onde há muitos sítios arqueológicos e somente em Chichén Itzá se esperavam para este 21 de dezembro cerca de 30.000 visitantes. 
 
 
 Menina dança durante as celebrações no México (Pedro Pardo / AFP)


Hotéis lotados, que dispararam suas tarifas, jantares com os melhores chefes, bailes, excursões, shows... todo o entorno do fim do mundo foi, provavelmente, pago adiantado, exigência feita também como segurança de recebimento... no caso do mundo realmente acabar. 
 
 
 
 Povos indígenas participam de uma cerimônia em Honduras (Sierra / AFP)


Enquanto muitos empresários encheram suas carteiras com o turismo apocalíptico, os maias, cujos descendentes são estimados em cerca de nove milhões na América Central e México, vivem na grande pobreza e sofrem a depreciação e a discriminação.


Ainda que já estivessem em decadência quando chegaram os conquistadores espanhóis, seu vasto legado para a humanidade permanece vivo: na arquitetura, ciência, cultura e astronomia. Segundo seus líderes, eles continuam contribuindo em todo o mundo com uma mensagem de paz e harmonia com a natureza. Nunca de cataclismos.



Fonte: Band
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A vida após o fim do mundo que não veio

Pico de Bugarach


Se o mundo realmente não acabar nesta sexta-feira, como será a manhã de sábado para aqueles que acreditaram com convicção nas profecias do calendário maia?


Embora seja um evento único e aterrador, o fim do mundo já foi anunciado diversas vezes ao longo da história.


E em todas as ocasiões, o sol voltou a raiar para os seguidores das profecias, que não raro deixaram suas casas e seus bens para esperar uma nova era que nunca veio.


Na China, o pânico entre alguns grupos fez aumentar a procura de velas na Província de Xixuan, à espera do 21 de dezembro, que marca o fim do ano 5.125 do calendário maia.


Nos Pirineus franceses, milhares de pessoas eram esperadas no pico de Bugarach. Segundo rumores, extraterrestres estariam prontos para resgatar os humanos da destruição.


Eles podem se decepcionar como os romanos, que entraram em pânico com as profecias do fim do mundo em 634 a.C., ou como os europeus que acharam que o mundo acabaria no ano 1000.


Na virada do milênio, em 2000, muitos se apegaram às profecias de Nostradamus, que previa um "reino de terror".


No último ano, um pastor da Califórnia, nos EUA, voltou a falar no fim e pôs data para o apocalipse – 22 de outubro. O mundo não acabou, ele alegou ter errado na conta e ainda mudou o dia seis vezes.


Decepção e sucesso



A vida após o fim que não veio não necessariamente é de fracasso e decepção.


Lorne Dawson, especialista em religião da Universidade de Waterloo, no Canadá, fez um levantamento de vários grupos e concluiu que, surpreendentemente, "a vasta maioria parece ter lidado bem com o fracasso das profecias".


Dos 75 grupos listados, apenas seis desapareceram. Alguns ganharam força, como é o caso das Testemunhas de Jeová, que previram o fim do mundo várias vezes.


Os Adventistas do Sétimo Dia, hoje com 17 milhões de seguidores, nasceram de um grupo apocalíptico que previu o fim em 1844 – evento hoje chamado pelos membros da igreja como "Grande Decepção".


Um caso clássico é o do psicólogo Leon Festinger, que em 1956 liderou um grupo que esperava ser resgatado por um disco voador antes que o mundo acabasse.


O mundo não acabou, os extraterrestres não vieram, e Festinger argumentou que o grupo "tinha tanta luz" que Deus desistiu da ideia. E assim Festinger continuou a atrair seguidores.


'Ridículo'

 

A psiquiatra Simone Dein acompanhou a reviravolta de outro grupo, o dos judeus hassídicos lubavitch, que vivem no norte de Londres.


Por anos, eles acreditaram que o rabino Menechem Mendel Schneerson era o messias, o filho de Deus. "Estava lá quando ele morreu (em Nova York). Havia uma sensação de negação dos fatos", diz.
Rapidamente, eles passaram a acreditar que o rabino não havia morrido, mas sim que estava invisível. Outros passaram a acreditar que ele morreu, mas ainda vai ressuscitar.


"Se sucumbisse rapidamente ao racionalismo, o grupo acabaria sendo visto como ridículo", diz o professor Lorne Dawson.

Tragédia

 

Após o fracasso do fim, alguns líderes marcaram outra data para o apocalipse. Outros se desculparam. Mas há quem tome decisões mais drásticas.


Em 1997, os corpos de 39 membros da seita Heaven’s Gate (Portão do Céu) foram encontrados em uma casa de campo na Califórnia, nos EUA. Eles haviam tirado a própria vida, acreditando que assim conseguiriam ter acesso a uma nave espacial que seguiria o cometa Hale-Bopp.


Philip Jenkins, historiador da Universidade de Baylor, no Texas, diz que "quando se investe muito em uma fé, há um grande interesse em preservar algo disso".


"É uma forma de rejeição Ao mundo como ele é", diz. "Isso tem a ver com imaginar um mundo muito melhor. Quando se torna claro que a nova ordem não virá, encontra-se um jeito de adaptar a mensagem."


Para quem está esperando o apocalipse neste dia 21 de dezembro, o suposto fim pode ser apenas o começo de uma nova saga.

 

Fonte: BBC

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Chegam a 400 os presos na China por pregar o fim do mundo



Mais de 400 membros da seita cristã Deus Todo-poderoso, que prega cataclismos para o fim do calendário maia em 21 de dezembro, foram detidos em Qinghai, noroeste da China, informou a polícia da província, que também tem uma importante minoria tibetana.


"Até o momento, mais de 400 membros da seita 'Deus Todo-poderoso' foram detidos, vários de seus abrigos foram destruídos, mais de 5 mil bandeiras, CDs, DVDs e livros, assim como computadores, impressoras, megafones, telefones celulares e rádios foram apreendidos", anunciou o canal estatal CCTV.


Nos dias 5 e 6 de dezembro, oito "incidentes" foram registrados na capital da província, Xining, assim como em Golmund, durante os quais membros da seita fizeram "propaganda ilegal" e provocaram "distúrbios em reunião pública", também de acordo com a emissora.


Para as autoridades de Qinghai, o combate à seita está profundamente vinculado à luta atual contra as imolações de tibetanos e constitui um elemento importante do trabalho destinado a "manter a estabilidade" das autoridades, destacou a CCTV.


A seita 'Deus Todo-poderoso' também fez um pedido a seus membros para derrubar o Partido Comunista chinês, a quem chama de "grande dragão vermelho", e promete aos seus fiéis uma nova era dirigida por um Cristo feminino. 


As ideias de apocalipses aumentaram na China depois do sucesso do filme 2012, em parte inspirado pela suposta profecia vinculada ao fim do mundo pelo calendário maia.




Fonte: Terra
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Após cristãos e mulçumanos, sem-religião são 3º maior grupo no mundo

 Os muçulmanos são o segundo maior grupo após os cristãos e somam 43,5 milhões na Europa


O grupo dos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião em todo o mundo só fica atrás daqueles que se dizem cristãos e muçulmanos. Na média, 8 em cada 10 habitantes do planeta se declaram religiosos.


Os dados são do primeiro relatório Global Religious Landcaspe (Panorama Global da Religião), feito com dados de quase todo o planeta e organizado pelo Fórum Pew sobre Religião e Vida Pública, parte da organização independente Centro de Pesquisas Pew, em Washington.


No total, 31,5% da população mundial se considera cristã (incluindo católicos romanos, ortodoxos e protestantes). Em seguida vêm os muçulmanos (sunitas e xiitas), com 23,2% do total.


Os que se declaram ateus, agnósticos ou não-filiados a alguma religião formam 16,3% da população mundial, percentual superior ao de hindus, 15%, budistas (7,1%), seguidores de religiões étnicas ou folclóricas (5,9%) e judeus (0,2%).


No Brasil, 7,9% dizem não ter religião ou não acreditar em divindade, sendo que 88,9% se declaram cristãos.


As conclusões do estudo não diferenciam as diversas divisões dentro de cada grupo – católicos e protestantes, por exemplo, estão agrupados como cristãos.


Cerca de 2,8% dos brasileiros dizem pertencer a religiões étnicas, como o candomblé. Outros grupos, como judeus e muçulmanos, são menos de 1%.


Por se tratar da primeira base de dados do gênero, não é possível, ainda, traçar tendências de crescimento ou declínio.


Distribuição

 

A maior parte dos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião estão em países comunistas ou ex-comunistas, onde tradicionalmente a religião não foi vista com bons olhos. Na China, 52,2% estão nesse grupo. Em Cuba, 23%.


Na América Latina, o país menos religioso é o Uruguai, com 40,7% da população dizendo não pertencer a nenhuma denominação – entre elas está o presidente do país, José Mujica, que se diz agnóstico.


As Américas, assim como a Europa e a África subsahariana, são o lar da maioria dos cristãos do planeta. O cristianismo também é a religião com maior capilaridade no mundo, segundo o estudo.


Os muçulmanos estão em sua maioria concentrados na Ásia, no Oriente Médio e na África. Chama a atenção, no entanto, o grande percentual de muçulmanos na Europa. 


Os seguidores do Islã já são 43,5 milhões, equivalente quase à população da Espanha (de 47 milhões). No Brasil são 40 mil. Os hindus estão quase todos concentrados na Índia.


Já os judeus são majoritários apenas em Israel, onde formam 75,6% da população e somam 5.610 milhões de pessoas. O número é menor que o da população judaica americana, de 5,690 milhões. No Brasil são 110 mil judeus.




Fonte: BBC
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Diocese de Milão cria telefone para atender à crescente demanda por exorcismo



O interesse do público pelo exorcismo fez com que a Diocese de Milão dobrasse o número de padres que realizam a prática e criasse, inclusive, uma linha de telefone para atender à crescente demanda.


Em uma entrevista publicada por um site ligado à Igreja Católica, a diocese explicou ter aumentado de 6 para 12 o número de clérigos oficialmente treinados para exorcismos.


Pelo telefone, pessoas interessadas em receber o atendimento conseguem agendar visitas aos padres especialmente treinados.


Fenômenos diabólicos

 

Segundo o monsenhor Angelo Mascheroni, encarregado, nos últimos 15 anos, de treinar os padres praticantes de exorcismo, o interesse está em alta.


"A partir do número de chamadas que recebemos, (notamos que) a demanda dobrou", disse ele ao site Incrocinews.


Um membro da diocese disse à BBC que a linha telefônica especial está recebendo entre três e quatro chamadas diárias. E, segundo Mascheroni, esse interesse vem de pessoas distintas.


"São jovens e idosos, homens e mulheres, pessoas de diferentes níveis educacionais - tanto os que abandonaram a escola como os que se formaram na universidade."


No entanto, casos que de fato requerem exorcismo são incomuns, ele acrescentou.


"Todas as pessoas devem ser escutadas com paciência e ninguém deve ficar chocado com o que eles contam, porque Deus é sempre mais forte que o diabo. Mas os fenômenos realmente diabólicos são, pelo menos na minha experiência, muito raros."


"Muitas vezes recebo ligações de pais dizendo que seu filho ou filha está faltando na escola, usando drogas ou se rebelando", prossegue o clérigo. 


"Não há nenhum demônio neles, mas, aos 18 anos, muitos jovens não querem limites. É importante discernir as diferentes situações."





Fonte: BBC
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Exorcismo é negócio lucrativo na Indonésia

Empresas pagam até US$ 100 mil para se livrar de maus espíritos./James Hookway/The Wall Street Journal


O indonésio, que já está até aqui com engarrafamentos, enchentes e outros problemas de infraestrutura, vem buscando a ajuda de exorcistas e xamãs para lidar com outro entrave ao crescimento: os jinns, seres sobrenaturais acusados de provocar pandemônio em canteiros de obras e afugentar operários.


Várias vezes ao ano, Agus Yulianto dirige um de seus carros esportivos até uma nova obra no centro de Jacarta, abate um búfalo com um facão e enterra a cabeça do bicho entre os alicerces do edifício. Tudo para apaziguar os espíritos, mais conhecidos no mundo ocidental como "gênios".


Quanto cobra? Um bilhão de rúpias, ou algo como US$ 104.000, incluindo o búfalo. É cerca de US$ 20.000 a mais do que cobrava no ano passado. "O negócio vai bem", disse Yulianto, que tem 50 anos e é mais conhecido como Ki Joko Bodo: um dos xamãs mais famosos da Indonésia.


Segundo antropólogos, o jinn — que no Alcorão é descrito como um ser feito de "fogo sem fumaça" — parece exercer mais influência do que nunca na Indonésia. É que o crescimento econômico do país de maioria muçulmana estaria expulsando os espíritos de lugares onde eles tradicionalmente viviam, levando incorporadoras a pagar uma bolada a Yulianto e a outros xamãs para conseguir alguma proteção contra um possível revide dos demônios. 


"Isso é muito comum aqui", disse um executivo indonésio de uma consultoria imobiliária estrangeira em Jacarta. "Os clientes dizem que não acreditam, mas querem aparecer fazendo o que é visto como certo".


A crença em espíritos e feitiçaria é incrivelmente comum entre os 240 milhões de habitantes da Indonésia. É fruto, em parte, de velhas tradições pré-islâmicas do lugar. Mais da metade dos indonésios que participaram de uma pesquisa recente feita pelo centro de estudos americano Pew Research Center disse que acredita em gênios; 69% dizem acreditar em magia negra e bruxaria.


Essa crença pega gente de todos os estratos sociais. Em 2009, o presidente Susilo Bambang Yudhoyono reclamou que certos adversários estavam usando magia negra contra ele. 


Ano passado, quando um vigia em Bandung foi demitido por ter chutado uma estudante fantasiada de espírito, milhares de indonésios saíram em sua defesa. Alguns até criaram uma página no Facebook para ajudar o segurança a se defender. Para eles, o vigia estava apenas fazendo seu trabalho.


À medida que a Indonésia — um dos países do mundo que mais crescem — vai enriquecendo, a tendência das pessoas é buscar com mais frequência alguma forma de ajuda sobrenatural, explica Mary Steedly, professora de antropologia da Universidade de Harvard e estudiosa do tema.


"É um fenômeno urbano, uma coisa de classe média que está associada com a modernidade e o progresso", disse Steedly. "Não tem nada a ver com a retomada de velhas tradições. É uma maneira de lidar com um presente que não para de mudar e com um futuro incerto".


Para quem não pode pagar por alguém famoso como o xamã Yulianto — que, é bom lembrar, já protagonizou vários filmes de terror nacionais —, há classificados nas últimas páginas de revistas como a "Misteri", que traz as últimas notícias sobre a impressionante fauna de assombrações, vampiros e, claro, jinns da Indonésia. 


Ao lado de anúncios de cremes para aumentar os seios e de pílulas para turbinar a virilidade, xamãs barateiros oferecem feitiços e encantamentos a preços módicos para, entre outras coisas, causar impotência no marido que trai a mulher.


"Há muita gente perdida na Indonésia", disse o editor da "Misteri", Yon Bayu Wohyono, na redação da revista, um prédio de dois andares com vista para um fétido canal. "O que fazemos é dar um meio de escape, só isso".


Em sua mansão nos subúrbios de Jacarta, o xamã Yulianto diz acreditar que a onda de investimento estrangeiro que está inundando a Indonésia, assim como a influência de facções árabes mais conservadoras do islamismo em algumas partes do país, só vão aumentar a demanda por seus serviços. 


"A ponte entre os dois mundos — entre humanos e jinns — está sendo quebrada", disse. "Eu posso ajudar os espíritos a aceitar o que está acontecendo." 




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Vidro com imagem da 'Virgem Maria' em hospital será levado a igreja

O vidro de uma janela em hospital na periferia de Kuala Lumpur (Malásia) que teria registrado a imagem da "Virgem Maria" será transferido para uma igreja católica da cidade.


A "aparição" levou um grande número de fiéis ao hospital, afetando bastante a rotina do local e complicando o trânsito nas imediações. 
A divulgação da imagem da janela pelo Facebook provocou uma avalanche de milhares de pessoas, interessadas em testemunhar o que classificam como "milagre", de acordo com o site "BikyaMasr".


O destino do vidro será uma igreja de Nossa Senhora de Lourdes, que, segundo o padre que cuida da paróquia, será o local "mais adequado" para a concentração de fiéis e suas orações.


"Garantimos que a imagem será tratada da forma mais cuidadosa e respeitosa", disse o padre Simon Labrooy.
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Angola: Igreja Católica promete castigar fiéis que insistirem na feitiçaria



A Igreja Católica vai começar a sancionar os fiéis que insistirem na crença na feitiçaria. A decisão foi divulgada no final da reunião dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) que decorreu em Luanda desde o dia 14 deste mês.

 
Em conferência de imprensa os bispos D. António Francisco Jaca, D. José Manuel Imbamba e o bispo emérito do Huambo, D. Francisco Viti, divulgaram uma nota pastoral sobre a feitiçaria, uma mensagem pastoral sobre a família e a cultura e um comunicado de imprensa que realça os principais assuntos discutidos da reunião.

 
Na nota pastoral sobre “A Problemática da Feitiçaria e as suas Implicações na Vida Eclesial”, os bispos consideram a crença na feitiçaria como preocupante entre os católicos. “A mentalidade feiticista é incompatível com o nosso batismo” e a crença na feitiçaria é “contrária à vocação pela vida consagrada”. 


A nota sublinha que os fiéis, leigos, religiosos e sacerdotes que recorrerem e fomentarem a prática da feitiçaria vão incorrer em penas de interdição e suspensão temporárias. 


Os bispos declaram ter recebido com agrado a notícia sobre os fiéis que, na Diocese de Cabinda, retomaram a comunhão eclesial e congratulam-se também com a realização das eleições gerais em Agosto passado.
 

Os prelados consideram que “as eleições decorreram num ambiente de paz, harmonia, irmandade e segurança, apesar das falhas verificadas que fizeram com que muitos cidadãos não exercitassem o seu dever cívico” e encorajam as “forças vivas da nação” a desenvolverem uma verdadeira cultura democrática.
 

Sobre as emissões da Rádio Ecclesia em Angola, os bispos da CEAST dizem estar confiantes que, neste Ano da Fé, a emissora católica vai estender o seu sinal a todo o país. 




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Escolas americanas ensinam que monstro do Loch Ness é real


Professores de escolas particulares da Louisiana (EUA) estão ensinando a alunos que a história do monstro do Loch Ness (Escócia) é real. O objetivo é combater a teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin.


De acordo com a cartilha do movimento Accelerated Christian Education (Educação Cristã Acelerada), o monstro, segundo ela, um dinossauro, viveu na mesma época que os homens, contrariando um dos preceitos da teoria de Darwin.
Tony Drummond, guia de Loch Ness, classificou o currículo como "propaganda ridícula", em entrevista ao "Scottish Sun".


Um pesquisador de direitos político-religiosos americanos disse ao "Scotsman" que um dos textos da cartilha afirma que "dinossauros eram dragões que expeliam fogo".


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Cientologia: morte de filho do presidente da igreja permanece um mistério

 Sede da Cientologia


A mãe de Alexander Jentzch, filho do presidente da Igreja de Cientologia Internacional, busca respostas sobre a morte do filho.

Karen de la Carriere escreveu uma carta para 10.000 cientologistas na segunda-feira, questionando por que a igreja manteve a morte de seu filho em segredo. Ela ainda alega que eles o “abandonaram” no momento em que ele mais precisava.


Carriere soube da morte de Jentzsch dias depois que ele faleceu e foi encontrado em sua casa em Los Angeles. Ela se interou somente que ele morreu de “febre alta”.


Na carta de Carriere, informações impressionantes sobre a conduta da igreja são reveladas. Ela aponta negligência por parte dos membros da igreja, bem como a retenção de informações sobre o filho à família e proibição de contato.


“Através de seu porta-voz, a Igreja foi muito rápida em declarar publicamente que Alexandre não deixou nota de suicídio e tomou medicamentos em excesso. Isto foi um uma reivindicação suspeita vindo da mesma Igreja que clama ter a tecnologia mais poderosa do planeta.”


As partes mais chocantes da carta são quando ela fala sobre toda a hierarquia dentro da instituição e todas as suas regras.


Alexander quando garoto entrou para o Sea Org, um braço da Cientologia que se assemelha um exército militar, onde pessoas vestem uniformes e seguem regras rígidas dentro da comunidade. Ali ele receberia educação.


Segundo Karen, entretanto, Alexander passava longas horas limpando banheiros e esfregando o chão e quando podia escapava para ligar para ela em prantos. A partir daí, o menino ficou praticamente separado de seu pai e sua mãe. Karen diz ainda que foi obrigada a separar de seu marido na época.


“Eu fiquei de repente, uma mãe solteira com um filho para sustentar. Heber era incapaz de pagar qualquer pensão alimentícia”, afirmou a mãe.


Karen decidiu depois deixar a Igreja e então foi obrigada a se desconectar de seu filho que teria se casado ainda jovem.


Alexander, já trabalhando em uma empresa da Cientologia, sofreu um acidente grave, e acabou perdendo o emprego. Ele não teve como arcar com os custos para um tratamento adequado e a igreja tampouco lhe ofereceu qualquer suporte, segundo informou Karen. Para ela, não houve compaixão da igreja para dar qualquer tipo de ajuda a ele.


Devido a política de desconexão, ela afirma que não recebeu nenhuma ligação para se informar sobre o acidente. Karen soube do acidente somente depois que uma pessoa lhe contatou para avisar de sua morte.


Karen acusa a igreja de conter segredos, mentiras e injustiças. Ela promete ir a fundo para averiguar sobre os segredos que rondam a morte de seu filho.

Fonte: CP
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Fiéis se deitam em ruas e são pisoteados por vacas




Acima, o evento no vilarejo de Ujjain

A tradição em Madhya Pradesh (Índia) manda que os fiéis se deitem de bruços nas ruas e deixem as vacas sagradas passarem correndo por cima deles.


Os hindus acreditam que, após as vacas passarem por cima deles, os seus pedidos aos deuses serão atendidos. A festa popular é chamada de Ekadashi.



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Suposta imagem da Virgem Maria em janela atrai multidão na Malásia



 
 
Fiéis fazem romaria em subúrbio da capital, Kuala Lumpur. Igreja e hospital em que imagem teria aparecido não comentam caso.
 
 
Católicos estão venerando uma imagem parecida com a da Virgem Maria e que apareceu em uma janela de um hospital de Subang Jaya, subúrbio de Kuala Lumpur, capital da Malásia.


A concentração de fiéis no local está provocando congestionamentos. A imagem também virou viral nas redes sociais. Autoridades da Igreja Católica local e do hospital não comentaram o caso.
 
 
 
 
 
Fonte: G1
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Religião sincrética conhecida como santeria renasce em Cuba



Natalia Bolívar Aróstegui, 77, é a principal referência viva dos estudos sobre os cultos afro-cubanos. Ela mora em Havana, em um apartamento animado pelo canto dos pássaros e pela agitação dos cachorros.


As paredes são cobertas por quadros de mestres como Lam, Portocarrero, além dos irmãos Tony e Patricio de la Guardia, sacrificados no julgamento de Ochoa (1989), ou ainda por suas próprias obras.


A reportagem é de A. Paranagua, publicada pelo Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol.


Seu livro sobre os Orixás em Cuba é um clássico, tanto para os acadêmicos quanto para os curiosos, que querem conhecer as divindades da santeria, o panteão ioruba (proveniente da Nigéria).



Natalia Bolívar foi discípula de Lydia Cabrera, autora do livro “El Monte – As florestas e os deuses”, considerado uma bíblia.

“Eu era seu cão de estimação, a seguia em todas as conferências, tomava notas para ela e a ajudava”, conta Natalia. Lydia Cabrera não queria títulos acadêmicos, ela se via como a depositária da tradição oral.

Natalia tem orgulho de suas origens bascas e aristocráticas (“não burguesas”, ela explica). Em sua árvore genealógica coexistem Simon Bolívar, independentistas e escravagistas, divididos pela política, sem contar um inquisidor: “A família inteira se banhava na História, ela continua a se reunir em Miami a cada cinco anos”.


“Fui educada pelas freiras no catolicismo, mas minha governanta negra, vinda das plantações de cana da família, me contava histórias de aparições e espíritos, me falava das propriedades das plantas e das árvores. Ela morreu aos 104 anos, depois de ter criado minhas filhas”.


Militante do Diretório Revolucionário Estudantil, Natalia foi presa e torturada durante a ditadura de Fulgêncio Batista, em 1958.


Seu torturador descobriu que ela usava uma corrente de Ogum, uma “proteção” do mesmo babalaô (sacerdote afro-cubano) que ele seguia, e decidiu soltá-la, em vez de afogá-la na baía de Havana, como haviam prometido.


A santeria deixou de ser uma religião “étnica” há muito tempo, ela permeia todas as camadas da sociedade cubana.


Dizem que o próprio Batista era um crente. “Desde os tempos das colônias, a religiosidade popular passou por altos e baixos”, diz Natalia. A crise dos anos 1990 favoreceu as crenças submersas. Hoje, assiste-se a um florescimento inédito: “As sociedades secretas Abakuá, os Cabildos, ainda existem no interior...”


A beleza dos rituais


Sem ligações institucionais, Natalia Bolívar continua a fazer pesquisas, a escrever e a fumar. Um website resume suas contribuições.


Ela ainda admira a beleza dos rituais, a harmonia de uma comunhão com a natureza, mas prefere ver os babalaôs do município de Diez de Octubre, em Havana, sem envolvimentos políticos.


“A Associação Ioruba de Cuba responde ao Comitê Central”, ele observa, referindo-se à secretaria de assuntos religiosos do Partido Comunista de Cuba.


“Que Elegua te abra os caminhos...”, ela escreve para o visitante, autografando um dos exemplares de sua obra sobre o general Quintín Bandera, um herói negro desconhecido da independência, assassinado durante a presidência de Estrada Palma. Biografia romanceada, escrita a quatro mãos com sua filha Natalia del Rio Bolívar, as duas autoras se valeram da licença poética a ponto de colocar seu personagem conversando com Federico García Lorca, fascinado por Havana.


“A História é fundamental”, afirma Natalia Bolívar. Antes da revolução, o grande historiador Leví Marrero havia feito pesquisas nos Arquivo Geral das Índias, na Espanha. Ela mesma continuou seus estudos na África, para compreender melhor o sincretismo cubano.


“Nos últimos cinquenta anos, houve problemas com a História”, ela diz subitamente, antes de citar outras lembranças. O espaço e o tempo nela parecem dilatados pela energia de uma vida muito plena. 



Fonte: IHU
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Exorcismo em Massa no Cairo



Fotos e Reportagem Omar H. Rahman


No dia da primeira eleição presidencial do Egito, enquanto milhões de pessoas esperavam ansiosamente nas filas de cabines de votação por todo o país, eu estava em negação num lugar chamado Cidade do Lixo, procurando por uma igreja. Escutei boatos dizendo que nela um padre egípcio praticava exorcismos em massa.


Depois de passar algum tempo no Cairo, você acaba aprendendo a lidar com a sujeira. Numa cidade com 17 milhões de pessoas vivendo umas em cima das outras, você acaba se acostumando com o cobertor de fuligem, a fumaça dos carros e a poeira que inevitavelmente se assenta em todas as coisas.


Mas a Cidade do Lixo, uma área urbana de prédios de tijolos inacabados na periferia do Cairo, provavelmente poderia concorrer como lugar mais sujo da Terra. Imagine um depósito de lixo transplantado dentro de uma cidade onde as pessoas comem, dormem e procriam, e você vai começar a ter uma ideia da realidade da Cidade do Lixo.





Em 1969, o líder revolucionário pan-árabe egípcio Gamal Abdel Nasser reuniu todos os coletores de lixo do Cairo — uma ocupação tradicionalmente feita pela minoria marginalizada dos cristãos coptas egípcios — e os consolidou num subúrbio da cidade, aos pés da montanha de Mokattam, uma área deserta sem água corrente, tratamento de esgoto ou eletricidade.


O que emergiu com o tempo foi uma cidade com lixo, literalmente escorrendo pelas janelas e portas. Famílias inteiras de lixeiros, lixeiras e crianças lixeiras trabalham juntas separando e reciclando os resíduos sem fim.


O cheiro e a presença de moscas no clima mormacento já é o suficiente pra deixar qualquer um infeliz. Você fica imaginando como seres humanos conseguem viver assim até perceber que mesmo uma vida passada no meio do lixo, uma hora acaba se tornando normal. 


A população da Cidade do Lixo é organizada e incrivelmente eficiente. Alguns trabalham apenas com plástico, outros com vidro. O lixo fornece um meio de vida aos milhares de residentes. A matéria orgânica costumava ser usada pra alimentar centenas de porcos, até que o governo matou todos por causa do pânico com a gripe suína três anos atrás.



Ouvi falar dos exorcismos em massa através de um amigo fotógrafo que vive no Cairo. A Igreja de São Sama'an, onde eles acontecem, fica dentro de uma enorme caverna na montanha Mokattam.


Subindo a colina até a igreja, passei por uma pilha de ratos mortos, todos do tamanho de bolas de futebol. São Sama'an é conhecida como uma das maiores igrejas no Oriente Médio. O lugar tem assentos pra 20 mil pessoas.




Na verdade, existem seis igrejas adjacentes construídas nos lados da montanha, juntamente com numerosos afrescos esculpidos nas fachadas de pedra mostrando cenas da Bíblia. O contraste com a Cidade do Lixo logo abaixo não poderia ser mais gritante.



Os exorcismos são, em grande parte, mantidos em segredo. Um padre idoso os realiza pra cristãos e muçulmanos, uma coisa rara num país dilacerado por conflitos religiosos.


Quando estive no Cairo no ano passado, depois da revolução épica de 18 dias, conflitos aconteceram devido a rumores de que uma mulher cristã que havia se convertido ao Islã estava sendo mantida refém no porão da igreja. Várias pessoas — cristãs e muçulmanas — foram mortas durante o surto de violência subsequente e a igreja foi incendiada.






O Padre Sama'an Ibrahim, sacerdote que comanda a coisa toda, construiu aos poucos a Catedral da Caverna pros coletores de lixo, durante os anos 80 e 90. Ele os encontrou vivendo em pecado e na miséria sem uma igreja própria e decidiu que era sua missão ajudá-los.


Agora com mais de 70 anos, Padre Sama'an preside a paróquia da Cidade do Lixo, atraindo fiéis de toda parte. Muitos dos que frequentam os exorcismos são muçulmanos, ansiosos pra interagir com o sobrenatural. 


Apesar do entrelaçamento amigável entre muçulmanos e cristãos, a Cidade do Lixo não ficou imune ao surto de violência sectária depois da histórica revolução egípcia.


Muitos dos residentes com quem conversei optaram votar em Ahmad Shafiq, um general da aeronáutica aposentado ligado ao antigo regime que forneceu uma sensação de estabilidade à minoria dos cristãos copta do Egito.


Dentro do complexo, encontramos um homem chamado Magid, que ajuda nos afazeres da igreja. Ele nos dá um resumo da história da igreja e explica o que vai acontecer com os exorcismos: “Quando o padre menciona o nome de Jesus, o diabo é destruído. Você vai ver!”


Aproximadamente duas mil pessoas lotam os bancos de madeira que rangem. Apesar da arquitetura ser impressionante, com uma enorme pedra pendente que cobre todo o anfiteatro, o culto da igreja é como todos os cultos de todos os tempos, ou seja, muito chato. Ficamos sentados lá por quase duas horas de canto e oração.


Quando a noite desceu sobre a catedral da caverna, fui até a parte da frente, antecipando que o padre ia se aproximar dos loucos e dar início à coisa toda. As luzes diminuem, a música fica mais alta. Algumas das mulheres na frente começam a chorar e balançar, de olhos fechados em pleno devaneio espiritual. 


De repente, ouço o uivo de um homem que parece ter sido esfaqueado. O padre — batina preta, longa barba branca e uma cruz dourada na mão — está segurando um homem de meia idade que convulsiona no banco.


O padre pega uma mão cheia de água benta e joga no rosto do homem, recitando encantamentos bíblicos. O homem para de gritar e seus olhos rolam de volta pra frente.



O padre divide a multidão e vai até um grupo de mulheres. Gritos horripilantes ecoam pelas paredes da caverna. O padre estapeia as mulheres no rosto e cospe na boca delas. Ele até cospe em garrafas de água e dá pra elas beberem.


As mulheres parecem aliviadas pelo coquetel de saliva. Depois que cada uma delas está curada, elas são marcadas com o que parece ser gloss labial, com desenhos nas mãos e nas testas.


Duas das mulheres começam a vomitar depois que o exorcismo começa, mas em questão de minutos estão milagrosamente curadas. A multidão de espectadores, na maioria mulheres, aplaude.

Alguns momentos antes, essas eram pessoas normais. Agora puxam agressivamente a perna da minha calça, implorando pra que eu chame a atenção do padre pra que ele venha confortar suas filhas. É um circo.


Talvez o exorcismo seja isso mesmo: uma maneira de dar conforto aos perturbados, um pouco de catarse espiritual pra limpar as coisas.





Afinal de contas, nossos problemas estão todos na nossa cabeça mesmo, né? A cura está em nos fazer acreditar que estamos bem. E aqueles que veem o mundo pelo prisma de anjos e demônios provavelmente precisam mais do cuspe do Padre Sama'an do que do divã do Dr. Freud.


A coisa toda termina em menos de 20 minutos. Depois de tudo, pergunto pra uma das mulheres que estava possuída como ela está se sentindo.


“Me sinto ótima”, ela diz com um grande sorriso. “Graças a Deus.”



Fonte: Vice Magazine 
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Britânicos acreditam mais em extraterrestre do que em Deus



Há na Grã-Bretanha mais pessoas que acreditam em ETs do que em Deus. É o que revela pesquisa feita pela Opinion Matters com 1.359 adultos.


Dos entrevistados, 52% acreditam que o governo, por motivo de segurança, esteja acobertando indícios sobre a existência de extraterrestres. Os que não acreditam em Deus representam 44% do total.


A pesquisa apurou também que uma a cada 10 pessoas afirmou já ter visto um OVNI. Mais homens que mulheres relataram ter visto um objeto voador não identificado. Do total, 20% acreditam que os ETs já desembarcaram na Terra.


Todas as pesquisas relacionadas à religião realizadas recentemente confirmam que a sociedade britânica está se distanciamento cada vez mais da ideia da existência de uma entidade divina, principalmente do deus cristão.


No começo deste ano, um estudo do Escritório Nacional de Estatísticas projetou para 2030 o fim da hegemonia cristã na religiosidade dos britânicos.




Fonte: Paulopes
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Sem chapéus pontudos ou verrugas no nariz, bruxos querem se livrar dos estereótipos

Zoe de Camaris se interessou por tarô nos anos 1980 e se tornou especialista. Hoje se considera bruxa porque respeita a natureza e pratica rituais ligados à magia espiritual


Esqueça a imagem estereotipada da velha ranzinza, de voz rouca, com verruga na ponta do nariz. As bruxas e bruxos --muitos homens também adotam a magia como estilo de vida-- de hoje têm uma aparência convencional, embora um ou outro símbolo mágico, como um pingente de pentagrama, revele suas crenças. 


Falam de maneira suave e são totalmente contra às práticas em geral associadas à feitiçaria, como o sacrifício de animais. Ao contrário: prezam a natureza acima de tudo, adotam uma rotina ecologicamente correta e cultivam plantas medicinais.


Seus encantos não transformam ninguém em sapo, mas eles garantem que podem curar uma dor de cabeça ou ajudar a atrair prosperidade. E em suas crenças não há espaço para demônios de nenhuma espécie. 


A maior parte cultiva princípios celtas e divindades femininas, caso da Wicca, religião neo-pagã criada na Europa que vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Conheça a história de bruxos do terceiro milênio.

Maga hi-tech

 

Formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, Monica Berger, ou melhor, Zoe de Camaris, trabalhou como professora de Linguística até que, nos anos 1980, começou a se interessar por tarô. 


Tornou-se especialista e hoje concilia as leituras de cartas que promove em sua casa com aulas de Literatura na Fundação Cultural de Curitiba, onde mora. 


Mãe de três filhas, que têm quatro, 17 e 31 anos, Zoe se considera bruxa por respeitar a natureza e não abrir mão de rituais particulares. “Não têm relação com nenhum tipo de religiosidade, mas com uma magia espiritual ligada ao feminino”, afirma. 


Zoe mantém vários objetos que ela considera mágicos --como castiçais, velas e cristais-- ao lado do computador e do "smartphone", além de manter um blog para realizar atendimentos online.


Embora não saia por aí de vestido e chapéu pretos, ela conta que, às vezes, capricha no visual e atende os clientes de pés descalços para tornar os rituais mais interessantes.


Bruxo em busca do equilíbrio

 

Na adolescência, uma reportagem sobre Wicca no programa “Fantástico”, da Rede Globo, despertou a atenção do paulistano Sebastian Baltazar --nome pagão que ele prefere usar sempre que o tema magia é abordado--, de 23 anos. 


“Comentei que queria saber mais sobre o assunto com uma amiga e, para minha surpresa, ela se revelou uma praticante. Passei a estudar bastante sobre o assunto e a trocar informações com outras pessoas em fóruns de discussão virtuais e pelo Orkut. Criei uma espécie de 'networking' pagão”, diz.


 Sebastian Baltazar em um Encontro Anual de Bruxos, organizado pela Abrawicca


Paralelamente ao trabalho de técnico em informática, ele atua como consultor holístico e dá aulas sobre cromoterapia. Ele nunca escondeu de ninguém que segue a Wicca e até adotou um anel com pentagrama, símbolo máximo da crença. 


Também não pensou em abdicar da filosofia quando foi acusado pelo irmão mais velho de ser um “adorador do demônio”. Baltazar acredita que ser um bruxo não o torna diferente de ninguém. “Sou uma pessoa que respeita a natureza, por me sentir parte dela, e que busca autoconhecimento e equilíbrio”, diz. 


Seu dia a dia é mágico por si só, costuma dizer. “Quando acordo, faço um pensamento de agradecimento”, afirma o mago, que nos Covens --encontros de praticantes de Wicca para celebrações e ritos mágicos-- sempre veste uma túnica especial. 


E, volta e meia, ele se dedica a fazer encantamentos para atrair sorte, prosperidade, bons pensamentos e harmonia em sua vida e na de quem o cerca.

De aprendiz à professora de bruxaria

 

Interessada por assuntos esotéricos, a professora de inglês Erica Marson, 37 anos, de São Bernardo do Campo (SP), sempre leu sobre os mais variados temas. “Tinha vontade de aprender alguns rituais e me aprofundar, mas não queria me dedicar à Wicca. 


Pensava em algo mais abrangente”, conta. Por intermédio de um amigo, conheceu a Universidade Livre Holística Casa de Bruxa, em Santo André (SP), e se inscreveu no curso de Bruxaria Natural, com duração de cerca de dois anos. 


Nunca mais saiu de lá. “Quando soube que procuravam bruxos com licenciatura para dar aulas, me candidatei imediatamente”, afirma.


Hoje, Erica é a responsável pela coordenação dos Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos e presença constante em todos os eventos da casa --o tradicional Halloween, aberto ao público mediante a compra de convite, é um dos mais animados. 


Nessas ocasiões, Erica vai acompanhada do marido, que respeita suas crenças e suas vestes especiais, mas não participa dos rituais. “Ele também não se incomoda com os altares que mantenho em casa, um na sala e outro no quarto”, diz Erica. Ela nunca deixa de usar o anel da Casa de Bruxa nem de carregar no pescoço um colar que traz um símbolo de proteção.


Tailleur, salto alto e poções de cura

 

Ela usa o nome da mãe, também bruxa, falecida em 2002. Porém, seu nome de batismo é ainda mais excêntrico: Mailin Zeid Black. Neta de um escocês, que admirava as tradições celtas, e de uma italiana católica, Mirian, 37 anos, sempre se interessou por assuntos místicos. “Quando era pequena via espíritos, mas nunca tive medo. 


Conforme cresci, devorei livros sobre diferentes culturas, como celta, cigana e egípcia, e também aprendi a lidar com radiestesia e terapia com cristais”, diz ela. Hoje, ela acaba de lançar o livro “Bruxas” (Ícone Editora).


Segundo Mirian, toda feiticeira tem um dom específico. O dela é preparar poções de cura --medicamentos naturais como xaropes para tosse e sprays para combater irritações na garganta. Ela não revela as receitas, tampouco vende suas criações. 


“Não quero usar meu dom para fins financeiros. Dou minhas poções para quem estiver precisando”, afirma.


“Ensino quem se interessa a fazer seu próprio feitiço. Sempre de forma gratuita, pois essa é minha doação para os deuses”, diz Mirian Black


Casada, ela mora com um casal de filhos --o menino tem oito anos e a menina, três-- em Vargem Grande Paulista, a cerca de 50 km de São Paulo. Advogada, não dispensa tailleur e salto alto para os compromissos profissionais, uma imagem bem diferente daquela que investe para os rituais celtas em homenagem às estações climáticas. 


“Uso vestes especiais em tons claros, como azul-celeste, para celebrar a chegada da primavera e do verão. Ou uma túnica branca com detalhes vermelhos, cores que facilitam a comunicação com outros mundos”, diz. Para o outono e o inverno, a escolha recai sobre as nuances comumente associadas à bruxaria: preto, cinza, azul-escuro e roxo.


Mirian afirma que nunca lançou mão de seus poderes para facilitar algo em sua carreira. “Isso implicaria em, eventualmente, modificar ou tentar modificar a decisão do juiz e, como desconheço o mérito do cliente, não posso usar a magia para alterar um karma. Se ele tiver de ganhar ou perder, faz parte do seu merecimento”, diz ela. 


Ela afirma que uma bruxa moderna só faz encantamento em benefício alheio e com a autorização da própria pessoa. “Ensino quem se interessa a fazer seu próprio feitiço. Sempre de forma gratuita, pois essa é minha doação para os deuses.”


Vassoura, caldeirão e empreendedorismo

 

Tânia Gori transformou praticamente em ouro os ensinamentos que a avó materna, Petronilia, ligada às ciências ocultas, começou a lhe ensinar quando tinha seis anos de idade. 


Há 16 anos à frente da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa, ela é considerada a grande responsável pelo aumento do interesse por Wicca, magia e afins, atualmente. 


Além de promover cursos de curta a longa duração, a Casa de Bruxa, sediada em Santo André (SP), conta com uma loja de produtos místicos, uma biblioteca e oferece sessões de massagem, reiki, reflexologia e leitura de oráculos, como tarô tradicional, runas e baralho cigano.


Há 16 anos à frente da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa, Tânia Gori prepara algumas de suas iguarias e poções em um caldeirão de ferro


Tânia está lá diariamente e, certa vez, ao pegar um táxi para se dirigir ao trabalho, ouviu um comentário preconceituoso do motorista. 


“Ele disse: ‘Credo, você vai pisar naquele lugar do mal?’. Respondi com uma explicação detalhada sobre minha filosofia de vida, que prega a comunhão com a natureza, o amor ao próximo e o equilíbrio emocional”, afirma. 


Casada e mãe de dois adolescentes, ela diz que combater os estereótipos com voz calma e harmonia é sempre a melhor solução. 


“Bruxa não é adjetivo, é substantivo. Se alguém diz ‘bruxa má’, se refere ao caráter de alguém”, diz. A maldade associada à bruxaria, segundo Tânia, é herança dos contos de fadas e dos tempos da Inquisição.



Na chácara onde mora, em Ribeirão Pires (SP), ela se dedica às artes culinárias: prepara iguarias e poções em um caldeirão de ferro. O utensílio, segundo ela, simboliza a transformação. Ela ainda tem uma grande vassoura de palha, que serve para fazer limpeza energética.


Simples e caseira

 

Com 44 anos de idade, Rhiannon mora em Joinville (SC), e é bruxa desde os 19, quando foi iniciada nas artes da magia natural (à base de plantas) com uma sacerdotisa. 


Casada pela segunda vez, mãe de um rapaz de 25 anos de sua primeira união e avó de dois meninos, ela conta ter uma vida bem normal. Gosta de ler, receber os amigos e cuidar da casa, cujos cômodos costuma lavar com ervas para atrair boas vibrações. 


“Promovo banhos e encantamentos para beneficiar minha vida e a de pessoas queridas, sempre utilizando a lei máxima: ‘Faça tudo o que desejar sem mal algum causar’. E não sou teatral ao desempenhar minhas tarefas, apenas sou naturalmente amável e responsável com meu trabalho”, afirma.


"Estou habilitada pela Deusa a celebrar casamentos na bruxaria, apresentação de crianças recém-nascidas e atos fúnebres da morte de pessoas queridas", diz Rhiannon


Rhiannon se diz eclética, mas aprecia, em especial, as tradições célticas e não abre mão de praticar rituais como os sabats, que celebram as estações do ano, e os esbasts, que são reuniões em homenagem a cada lua cheia. 


“Além disso, estou habilitada a celebrar casamentos na bruxaria, apresentação de crianças recém-nascidas e atos fúnebres para pessoas queridas. Todas essas celebrações são apenas ritualizadas, sem papéis convencionais, pois o nosso único compromisso verdadeiro é com nossos sentimentos, corações e integridade”.


Ela adora velas, óleos perfumados, sinos dos ventos, incensos e tudo o que represente os quatro elementos: terra, ar, água e fogo. “Gosto de tornar meu ambiente caseiro o mais harmonioso e encantador o possível”, afirma a feiticeira.


Seu trabalho “secular”, modo como as bruxas costumam se referir à profissão convencional, é técnica em enfermagem. “Lido com vidas e levo muito a sério essa questão. Quando alguém me pede uma poção ou chá, eu ensino, mas em momento algum deixo de indicar os métodos convencionais de medicina e a procura por um especialista. Os médicos e a alopatia também são parte integrante da magia divina”, diz Rhiannon.




 Fonte: UOL
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