Ensinamentos para a Meditação
“Meditação, de fato, é o primeiro passo para a auto-realização. A razão por que tenho chamado este o primeiro passo de seu treinamento é que hoje há um considerável número de pessoas que não podem tolerar dificuldades e inconvenientes e, ainda assim, desejam coisas maiores, mais subjetivas. Esta disciplina, a qual a si mesmos vocês impõem, os conduzirá à felicidade e à glória.”
“Mediante dhyana (meditação) você mergulha na idéia da Universalidade e Onipotência de Deus. Não é para você uma diária constatação que uma preocupação maior domina uma outra menor e o leva a esquecer-se desta? Quando você plenifica sua mente com a de Deus, quando por Ele você anseia e a Ele levanta seu clamor, todos os demais anseios, todos seus desapontamentos e mesmo todas as realizações desmaiam, sumindo na própria insignificância. Você esquece tudo. Desejos, frustrações e realizações jazem submersas na inundação do divino anseio e, logo depois, no próprio Oceano da Bem-aventurança.”
“Você contempla as estrelas no espaço, mas conserva inexplorado o céu interior. Vasculha a vida alheia assinalando erros e falando mal das pessoas, mas não cuida de analisar seus próprios pensamentos, atos e emoções para julgar se são bons ou maus. Os erros que nos outros você vê não passam de projeções dos seus próprios; o bem que nos outros observa é o reflexo de sua própria bondade. Só mediante a meditação (dhyana) você poderá cultivar o bem-ver, o bem-ouvir, o bem-pensar e o bem-agir.”
“Para a prática de meditação (dhyana) a hora é importante, e a mais indicada é chamada Brahma muhurtha. Você terá de escolher a Forma que lhe aprouver para sobre ela meditar durante o período chamado Brahma muhurtha, que vai das 3:00 às 6:00. Você terá de meditar sempre à mesma hora todos os dias.”
“Meditar cedo, pela manhã, é melhor. A mente está quieta e não há a pressão das responsabilidades.”
"Você pode meditar em qualquer lugar, até mesmo esperando um ônibus, basta que você se desconecte e procure observar o que resta da natureza caso você esteja numa metrópole, basta entender".
“Sentar-se ereto é importante. Entre a nona e a décima-segunda vértebra reside a força vital. Se a espinha dorsal é ferida nessa altura, a paralisia ocorre. Se o corpo estiver em posição ereta, como se ele estivesse fixado a um poste reto, a força vital poderá se elevar atraves do corpo ereto e dar uma intensa concentração à mente. Além do mais, assim como um pára-raios atado ao telhado de um prédio atrai o raio, de modo semelhante um corpo ereto transforma-se num condutor, por assim dizer, para que o poder divino entre no templo do seu corpo e lhe dê forças para empreender sua tarefa e alcançar sua meta. Um outro exemplo: o poder divino está sempre aqui, como os sinais de rádio. Mas, para ouvir a música no rádio, deve-se ter uma antena. Além disso, se o sintonizador não estiver adequadamente ajustado, haverá algum som, mas nenhuma música. De maneira semelhante, o poder divino, que está sempre presente, poderá fluir para dentro de você se a meditação for correta e se o corpo estiver ereto.”
“Um trabalho especial de concentração não implica ser parte da meditação. A concentração já está em vigor onde quer que a mente, a inteligência e os sentidos sejam usados. Sem ela, você não poderia sequer andar. Não necessita prática especial. Está abaixo dos sentidos. A meditação está acima dos sentidos. Entre a concentração e a meditação, como uma separação entre as duas, está a contemplação. Da concentração para a contemplação e então, depois, meditação. Enquanto o indivíduo pensa, 'Eu estou meditando', isso é a mente, e não é meditação. Se o indivíduo sabe que está meditando, ele não está meditando.”
“Não é prático tentar se concentrar naquilo que não tem forma. Concentrar-se no Jyoti (luz - chama da vela) é uma ilustração. O objeto de concentração pode ser o som, a forma, o Jyoti, etc. Precisa ser algo concreto. Não é fácil fixar a mente no abstrato.”
“Por que uma luz? Se vocês pegarem uma porção de areia muitas vezes seguidas, a areia, da qual essa porção é retirada, se esgotará com o tempo. Se cada um tirar água de um tanque, o tanque secará. Mas milhares de pessoas podem tomar a chama de uma vela para acender suas velas, e a chama em nada diminuirá.”
“Acenda uma lâmpada ou uma vela. Olhe fixamente para a chama que está na sua frente. Depois, leve a chama da vela, o Jyoti, para dentro de seu coração e veja-a no meio das pétalas do coração. Veja as pétalas do coração desabrocharem e veja a luz iluminar o coração. Maus sentimentos não podem permanecer. Então, mova a chama às mãos e elas já não poderão praticar más ações. Mova depois a chama, de igual maneira, para os olhos e ouvidos, para que eles possam, daqui por diante, receber somente sensações sábias e puras. Então, mova a luz para o exterior, para seus amigos, parentes e inimigos e depois, ainda, para os animais, aves e outros objetos para que eles sejam iluminados pela mesma luz. Cristo disse: 'Todos são um, seja igual a todos'. Desta maneira, você não mais será limitado ao seu corpo, mas se expandirá através do universo. O mundo, que é agora tão grande, se tornará muito, muito pequeno. Expandir além do próprio ser, ver que sua luz é a luz do universo, é a chamada libertação. A Libertação não é diferente disso.”
“A luz é primeiro levada ao coração, o qual é concebido como um lótus, cujas pétalas se abrirão. O Jyoti é, então, levado a outras partes do corpo. Não há uma seqüência em particular. Mas o importante é a ultima parte no corpo, que é a cabeça. Lá, a luz se transforma numa coroa, que envolve e protege a cabeça. A luz é então levada ao exterior, do particular ao universal. Leve a luz aos parentes, aos amigos, aos inimigos, às árvores, aos animais, aos pássaros, até que o mundo inteiro e todas as suas formas sejam vistos com a mesma luz no seu centro, tal como a que você percebeu dentro de você. A idéia de mover a luz para a fase universal, a idéia de universalidade é a de que a mesma luz divina está presente em todos e em toda parte. Para imprimir essa universalidade na mente, fazemos espalhar a luz para fora de nosso próprio corpo. Deve-se compreender que o que acontece na meditação, à medida em que sua prática é aprofundada, não é o pensar na luz, mas o esquecer do corpo e, portanto, a experiência direta de que o corpo não é a própria pessoa. Esse é o estágio de contemplação, quando o corpo é totalmente esquecido. Isso não pode ser forçado. Acontece por si mesmo e é o estágio que naturalmente se segue à concentração correta. Vivekananda contou que, durante a meditação, ele era incapaz de encontrar seu corpo. Onde estava seu corpo? Ele não podia achá-lo. Olhar a luz e movê-la daqui para lá é dar trabalho à mente, mantendo-a ocupada na direção correta, de maneira que ela não ficará pensando nisto e naquilo e, assim, interferindo com o processo de ficar mais e mais quieta. Espalhar a luz em sua fase universal, enviá-la a todos os outros corpos, estando-se tão concentrado nisto, que já não mais se está consciente do próprio corpo, esse é o estágio da contemplação. Quando a contemplação se aprofunda, a etapa da meditação chega no momento apropriado por 'sua vontade'. Ela não pode ser forçada. Se a pessoa que medita permanece consciente de si, e sabe que está engajada em meditação, então ela não está meditando, mas ainda está na etapa preliminar, no começo da concentração. Existem três etapas: concentração, contemplação e meditação. Quando a concentração se aprofunda, esta naturalmente passa à meditação. A meditação está inteiramente acima dos sentidos. Na etapa da meditação, quem medita, o objeto da sua meditação e o processo de meditação desaparecem e então permanece somente Um, e esse Um é Deus. Tudo o que pode mudar desaparece e somente Tat Twam Asi - 'Tu és Isto' - é o estado que existe. Quando se volta gradualmente ao estado de consciência habitual, o Jyoti é recolocado no coração e mantido ali aceso durante o dia todo.”
“As três etapas - a concentração, que fica abaixo dos sentidos; a meditação, que fica inteiramente acima dos sentidos; e a contemplação, que fica entre as duas e está parcialmente dentro e parcialmente acima dos sentidos, que está nos limites de cada uma dessas etapas - constituem a experiência da genuína meditação, quer o objeto seja uma forma, quer seja luz. Não há diferença essencial. Se o devoto tem uma forma de Deus, a qual ele está particularmente dedicado, ele pode imergir essa forma no Jyoti, e essa forma - que lhe é a mais atraente e é o objeto de sua concentração - será vista dentro da luz, onde quer que ela seja vista. Ou seja, a concentração sempre será na forma de Deus, porque Deus é universal em cada forma. O objeto escolhido é só um estratagema, para permitir à pessoa mergulhar profundamente na quietude e permitir ao corpo, que é não-Self, distanciar-se da consciência. Qualquer coisa concreta como a luz, a forma ou o som pode ser escolhida como objeto de concentração. Não é possível passar diretamente para a etapa da meditação.”
“John Hislop: Aqui está uma meditação dada pelo próprio Senhor, e ela leva direto à libertação. Por que uma pessoa desejaria preocupar-se com qualquer outra meditação?
Para obter alguns prazeres sensoriais, algum resultado físico.
Swami, ontem algumas pessoas entenderam que qualquer tipo de meditação poderia ser usada nos Centros.
Não se preocupe com isso. Em pouco tempo, elas sentirão quão excelente é a meditação na luz, e optarão por ela. Não as force. Dê-lhes algum tempo.”
“Pessoas percorrem o país pretendendo ser autoridades altamente avançadas em japa> (repetição de um mantra) e dhyana (meditação), e assim conseguem grandes auditórios. A realização espiritual, porém, dispensa publicidade. A prática espiritual deve ser feita em silêncio, longe dos olhos do público. Algumas pessoas podem se proclamar superiores e supremas, mas embora tenham alcançado alturas, seus olhos, no entanto, vagam como os dos urubus, vasculhando o chão lá embaixo, à procura de alimentos; embora voem alto, seus pensamentos são baixos. Salvem-se vocês por seus próprios esforços. Adquiram discriminação, e percebam a Verdade.”
“Há os que são atraídos por vários sistemas e métodos, como Hatha Yoga, Kriya Yoga, ou Raja Yoga. Proclamam eles que ajudam as pessoas a realizarem o Ser. Nenhum deles, porém, pode fazer você realizar Deus. Somente a Prema Yoga (a senda do Amor) pode levar a Deus. Tais métodos de Yoga podem acalmar temporariamente as agitações da mente, podem melhorar a saúde e até prolongar a vida por alguns anos, mas é só o que podem fazer.”
“Existe somente uma Yoga, e essa é a Bhakthi Yoga (devoção/amor). Todas as outras: Kriya Yoga, Hatha Yoga, a chamada Sai Yoga, Pranayama - todos os métodos e técnicas conhecidos como yogas pertencem ao corpo. São como os exercícios militares. Direita! Esquerda! Levantar! Abaixar! Onde está o resultado? São inúteis e uma perda de tempo. A Bhakthi Yoga é o caminho direto a Deus. É a maneira fácil. Todas as outras são inúteis. Existem seis tipos de Bhakthi. Madhura quer dizer doce. Esse é o tipo mais elevado.”
“Não é necessário retirar-se para a floresta a fim de superar ressentimento e ódio. A virtude não pode ser praticada num vazio. Se você vive numa atmosfera de ódio e ainda assim é capaz de se controlar, sua conquista é meritória. Mas, se vive numa floresta onde não resta oportunidade para o ódio e diz que controlou seu ódio, sua afirmação não tem sentido. Você deve, portanto, deixar-se ficar nos ambientes do mundo, ainda que haja ampla oportunidade para o surgimento de emoções de raiva e ódio; aí, então, aprenda a controlá-los. Esta sim será uma realização meritória.”
“A meditação verdadeira é ficar absorvido em Deus como único pensamento, a única meta.
Deus somente, apenas Deus.
Pense em Deus, respire Deus, ame a Deus, viva Deus.”
“Quando longe de Swami, lembrar Dele, fazendo isso ou aquilo, recarrega a bateria. Isso tambem é meditação genuína. Meditação é constante indagação interna quanto a quem sou eu, o que é a verdade, o que é ação do ego, o que é amor e o que é desarmonioso. Meditação é pensar nos princípios espirituais, buscando a aplicação para si mesmo do que Baba diz, e coisas parecidas.”
“A meditação, como descrita por Swami, é a estrada real, o caminho fácil. Por que se preocupar com outras práticas? Para que a meditação seja efetiva, deve haver uma prática constante, sem pressa e sem preocupação. Com a prática constante, a pessoa se torna calma e o estado de meditação acontece naturalmente. Pensar de outra maneira é debilidade. O sucesso é garantido. Invoque a Deus, Ele o ajudará. Ele responderá e Ele próprio será o seu guru. Ele o guiará. Ele estará sempre ao seu lado. Pense Deus, veja Deus, ouça Deus, coma Deus, beba Deus, ame Deus. Esse é o caminho fácil, a estrada real para sua meta de romper a ignorância e alcançar a realização de sua natureza verdadeira, que é una com Deus.”






