Estudos Sobre a Kabalah - Profº Jesse Rodrigues Ferreira .

“As palavras desse texto são luminosas e cintilantes, mas o seu
brilho pode cegar.” Rabino Moses Cordovero (1522-1570).
A origem da Kabbalah
“E agora, eles realmente não vêem a luz;
Ela está brilhando no céu nublado
Quando o próprio vento passou e procedeu a limpá-lo.”
Salmos 37:21
A grande maioria dos autores se limitam ao universo da
Kabbalah judaica, na verdade é muito difícil tratar de Kabbalah
sem mencionar o judaísmo. Mas a Kabbalah é muito anterior a
qualquer instituição humana.
A questão da Kabbalah judaica ser confundida com a Kabbalah
em si, está em que o judaísmo é a única religião que preserva
“explicitamente” a Kabbalah, enquanto que as outras religiões
estão estruturadas e basiladas pela Kabbalah, porém esse
conhecimento foi perdido pela grande maioria dos oficiantes dessas
religiões.
O caso das Ordens esotéricas, é semelhante, qualquer Ordem
esotérica autêntica é estruturada e basilada pela Kabbalah, a
diferença é que somente os dirigentes e estudantes mais antigos ou
mais estudiosos sabem disso.
Para sermos objetivos a Kabbalah tem sua origem no Plano
Espiritual e é manifestada neste plano de existência através das
Ordens esotéricas, religiões reveladas e mentes afins com a vontade
divina.
Esse é um ponto importante que deve ficar fixado na mente
dos estudantes mais desavisados que pensam que seja necessário
ou imprescindível que se estude todos os livros sagrados do
judaísmo ou atinja os últimos graus das ordens esotéricas para
“receber” o conhecimento Kabbalístico.
Na verdade todo esse material é muito rico e muito instrumental para essa jornada, mais
pôr incrível que pareça podem ser dispensados se a sua vontade é
forte em servir a Deus.
pôr incrível que pareça podem ser dispensados se a sua vontade é
forte em servir a Deus.
Muitas mentes kabbalisticamente acionadas pôr Deus para
fazer o bem na Terra, nunca ouviram falar em Kabbalah. Para
exemplificar vou contar um caso:
Um casal de amigos católicos vivem a fazer caridade para as
crianças carentes , órfãos daqui de Fortaleza e colaboram também
com uma comunidade do interior, dando aulas e todo tipo de ajuda
que esteja ao seu alcance. Certa vez estávamos numa festividade
em um organismo afiliado de uma ordem esotérica e eles
perguntaram qual a obra de caridade ou atividade em prol da
comunidade era feita pela ordem e muitos fugiram do assunto com
a resposta clássica de que este não era o objetivo da ordem. Antes
mesmo desse episódio esse casal vivia curioso sobre ordens
esotéricas e querendo saber como fazer para se tronarem místicos e
respondi que eles não precisavam se afiliar em nenhuma ordem
para ser místicos porque já eram.
O que é Kabbalah ?
“ Se desejas compreendê-la, não a compares a nada daquilo que
conheces.” Saint-Martin ( O Homem de desejo, p.26)
Os estudiosos classificam a Kabbalah como o conhecimento
místico do judaísmo, os esotéricos traduzem a Kabbalah como
“Tradição”, ou seja, um conjunto de Leis Universais das quais
derivam o conjunto de leis que manifestam a matéria.
Mas a tradução mais adequada parece ser a dada pelo
Dr.Philip S.Berg que diz que Kabbalah vem do verbo
Kabal(receber), logo Kabbalah seria o ato, a vontade, o desejo de
receber as chaves do mistério da vida, a iluminação : “ O desejo de
receber afeta à toda criação porque é a base de toda a
criação.”(Berg, 1989,p.28).
Baseado nessas afirmações podemos dizer que Kabbalah é
um conhecimento subjetivo adquirido através da meditação e
aplicado nos pensamentos, palavras e ações do cotidiano. Seria
algo aproximado do que hoje é classificado como inteligência
emocional ou um conjunto mais completo como é o caso das
inteligências múltiplas.
A finalidade da Kabbalah
“ Até mesmo a escuridão não se mostraria escura demais para ti,
mas a própria noite se iluminaria como o dia; A escuridão bem
poderia ser a luz.” Salmos 139:12
Mais qual é a finalidade de se receber uma iluminação? Seria
essa iluminação a tão procurada felicidade? Talvez, mas a
finalidade mais imediata da Kabbalah parece ser a luta contra a
ignorância e a superstição, tanto do mundo físico, como do mundo
metafísico.
Essas lições podemos tirar da vida de Kabbalistas que
receberam algum grau de iluminação e a aplicaram em suas vidas,
como é o caso do rabino Shimon bar Yohai : “Ele lutou ao largo de
toda sua vida para introduzir luz em lugares onde a ignorância e a
superstição reinavam, para tornar o mundo metafísico, bem como o
físico, compreensíveis, e para ligar todos os níveis da existência,
com o objetivo de revelar um mundo de verdadeira beleza e
harmonia.” (Berg, 1989.p.40-41)
receberam algum grau de iluminação e a aplicaram em suas vidas,
como é o caso do rabino Shimon bar Yohai : “Ele lutou ao largo de
toda sua vida para introduzir luz em lugares onde a ignorância e a
superstição reinavam, para tornar o mundo metafísico, bem como o
físico, compreensíveis, e para ligar todos os níveis da existência,
com o objetivo de revelar um mundo de verdadeira beleza e
harmonia.” (Berg, 1989.p.40-41)
Podemos concluir que a Kabbalah é um reservatório invisível
de um material subjetivo que nos transmiti luz, fé , esperança,
otimismo e amor. É a fonte da água viva que mata a sede da busca
do Criador, do Desejo de receber: “a essência da esperança e do
otimismo, desenvolve-se a partir da crença indelével de que haverá
um triunfo eventual da harmonia sobre a confusão no mundo, do
amor sobre o ódio, e em última instância, uma vitória da justiça e
bondade sobre a opressão e a cobiça.(...) e depende da
disseminação do verdadeiro conhecimento, a sabedoria da
Kabbalah.”(Berg,1989.p.68)
A estrutura Kabbalística do Universo
“ O trabalho kabbalístico consiste em possibilitar-nos o
conhecimento de todos os Mundos, atuarmos neles e em conjunto e
ajudarmos na educação de Adão Kadmon.”
Shimon Halevi ( O trabalho do Kabbalista,p.22)
Segundo a Tradição Kabbalística, no princípio só havia o Criador,
o Nada Absoluto, o AYIN, então Ele desejou ver a si mesmo e
para isso se contraiu para que o espaço que deixou se tornasse a
Existência, o Tudo Absoluto, o AYIN SOF. Esse Tudo Absoluto
precisou de uma estrutura para manifestar-se harmoniosamente,
para isso formou-se, dentro do próprio Tudo Absoluto um esquema
chamado Árvore da Vida, numa seqüência de quatro Mundos ou
realidades interconectadas chamadas:
Mundo da Emanação = Aziluth
Mundo da Criação = Beriah (Gênesis 1)
Mundo da Formação = Yetsirah (Gênesis 2,7)
Mundo da Ação = Asiah (Gênesis 3,22)
Cada Mundo possui dez “vasilhas” ou “receptáculos” que
recebem a luz divina e a fazem circular pelo universo, essas
vasilhas são chamadas de sephiroth. Cada Mundo é uma cópia
semelhante ao outro diferenciado apenas na vibração espiritual que
se aproxima do Criador.
recebem a luz divina e a fazem circular pelo universo, essas
vasilhas são chamadas de sephiroth. Cada Mundo é uma cópia
semelhante ao outro diferenciado apenas na vibração espiritual que
se aproxima do Criador.
Essa conexão entre os quatro Mundos é conhecida como a
Escada de Jacó, e está interiorizada dentro de cada ser humano, e
também em cada reino ou planeta, em cada manifestação de Deus
ou do ser humano em conexão com a vontade divina.
Assim esses quatro mundos representam também as quatro interpretações da
bíblia : a literal (letra - Ação), alegórica (espírito - Formação),
metafísica (Alma humana - Criação) e a mística (Alma divina -
Emanação).
bíblia : a literal (letra - Ação), alegórica (espírito - Formação),
metafísica (Alma humana - Criação) e a mística (Alma divina -
Emanação).
alegoricamente pela passagem de Adão e Eva e Caim e Abel.
Em todos os planetas do Universo se repetem, de acordo
com o seu nível espiritual, a saga de Adão e Eva, que representam
um arquétipo Universal da alma jovem, ingênua ou recém caída na
matéria, Caim e Abel representam o caráter ou o nível espiritual da
humanidade que vem ao plano físico, sendo Caim as almas de
menor freqüência espiritual porque seus desejos são dominados
pela matéria, enquanto que Abel representa os de maior
freqüência espiritual.
BIBLIOGRAFIA:
BERG, Philip S. Introdução à Cabala. New York, 1989. Ed.
Research Center of Kabbalah.
HALEVI, Z’ev ben Shimon. O trabalho do kabbalista. 1994. São
Paulo, Siciliano.
Kabbalah e êxodo, 1994. São Paulo, Siciliano.
3.KAPLAN, Aryeh. O Bahir: o livro da iluminação
Profº Jesse Rodrigues Ferreira . Pedagogo . F.R.C S.I, KABBALAH: Introdução à Ciência da Hierologia





